História


Desde a sua fundação, em 1900, o Club Athletico Paulistano sempre foi guiado por idéias de vanguarda. Na época de sua criação, procurou-se incentivar a juventude à prática esportiva, atividade até então pouco valorizada socialmente. A idéia de ter um local onde as famílias pudessem se reunir nos fins de semana não só deu certo como fez com que o Clube passasse a ser o ponto de convivência social, lazer e esporte mais frequentado pela elite paulistana.

Um dos grandes responsáveis por essa conquista foi, sem dúvida, o futebol, que em pouco tempo desbancou o ciclismo como o esporte mais praticado no Velódromo. Até a década de 1930, quando passou a se dedicar exclusivamente ao futebol amador, o esporte trouxe para o Paulistano inúmeros títulos, entre eles o de tetracampeão paulista - feito até hoje não alcançado por nenhum time de São Paulo.

Mesmo com o fim do futebol profissionalizante, o CAP seguiu seu caminho de vitórias em esportes como tênis, atletismo, esgrima, natação, basquete, voleibol e outros tantos. Atualmente são praticadas 38 modalidades, entre elas esportes tradicionais, como o próprio futebol e a pelota basca, e outras surgidas mais recentemente, como o badminton.

A preocupação em oferecer o melhor a seus sócios fez com que o Clube se modernizasse e realizasse várias reformas e ampliações, como a recente construção da garagem. Diariamente uma gama de serviços, comodidades e programações é oferecida aos mais de 24 mil associados - bem mais que os 60 sócios iniciais. Todas essas mudanças não permitiram, no entanto, que o Club Athletico Paulistano deixasse de honrar os valores que fazem parte de sua tradição: amadorismo, espírito de competição e civilidade.

1900-1915
Vinte e nove de dezembro de 1900. Em uma época em que a prática esportiva era considerada uma manifestação socialmente pouco digna, um grupo de jovens da sociedade paulistana decide fundar um clube. A idéia de reunir as famílias nos fins de semana é alinhavada numa rotisserie famosa e com um nome bastante sugestivo: Sportsman. Está fundado o Club Athletico Paulistano.

Os idealizadores do Paulistano partem para a escolha do local ideal para a instalação da sede esportiva: o Velódromo, estádio de ciclismo localizado na rua da Consolação. Lá se realizaria a primeira partida interestadual de futebol do Brasil, em 19 de outubro de 1901. Também lá o futebol mostraria sua força ao substituir o ciclismo na preferência de seus sócios.

A euforia em torno desse esporte e dos eventos sociais que aconteciam no Velódromo duraria, no entanto, até 1915, quando seria anunciada a construção da rua Nestor Pestana no local ocupado pelo Clube. Desacreditados na continuidade em outro local, os sócios aos poucos abandonam o Paulistano. O desânimo atinge a própria diretoria, que aceita a morte do Velódromo sem contestar. O ano de 1915 chega ao fim com o Paulistano sem o Velódromo e com apenas 30 sócios apostando na manutenção do Clube.

1916-1929
Apenas 30 sócios decidem lutar para manter o Paulistano vivo, e mesmo sem saber se haveria jogadores em número suficiente para disputar uma partida de futebol, inscrevem o time no Campeonato Paulista de 1916. Na base do improviso, o Clube estréia a rodada com uma vitória e ganha forças para ir adiante e arrematar o título de campeão.
A conquista faz com que a Diretoria se empenhe ainda mais em encontrar um terreno para a construção da futura sede. O terreno escolhido é o do Jardim América, na rua Augusta, entre as ruas Colômbia, Honduras e Estados Unidos - local ocupado pelo CAP até hoje.

O Paulistano, então, dá início às obras da nova sede, que seria inaugurada em 29 de dezembro de 1917 com muita festa e a presença de autoridades como Washington Luiz, prefeito de São Paulo na ocasião. Inicia-se uma nova fase no CAP, que - nas palavras de Antônio Prado Júnior, então presidente do Clube - deixa de ser apenas um clube de futebol para se destinar a todos os exercícios físicos.

No ano seguinte, mesmo cedendo sua sede para a instalação de um hospital provisório para ajudar no tratamento da epidemia de gripe espanhola, o Paulistano ganha o Campeonato de Futebol de 1918. Não bastassem os títulos conquistados no futebol, entre eles o de tetracampeão paulista, o CAP - já somando 900 sócios - passa a colecionar inúmeros troféus em outras modalidades, como tênis, atletismo e natação.

No entanto, as atividades futebolísticas encerram-se em 1929, quando o Paulistano - cansado de tentar moralizar o esporte em São Paulo - resolve manter sua tradição de futebol amador e libera seus jogadores para atuar em outros Clubes.

1930-1970
Ao se afastar do futebol profissionalizante, o Paulistano consolida seus caminhos de ecletismo esportivo. Tênis, natação, basquete, voleibol, atletismo e esgrima são esportes nos quais o Clube passa a representar força no cenário nacional, com sucessivas gerações de campeões.

Em 1950 o CAP ingressa em uma fase de expansão, dando início à construção da sede no Jardim Paulistano, a terceira desde sua fundação. O objetivo é oferecer maiores possibilidades para a prática de esporte e instalações e serviços adequados a uma vida social intensa, moderna e integradora da família. A cerimônia de inauguração na rua Honduras - com direito a baile e jantar para 6 mil pessoas - acontece no dia 29 de dezembro de 1957.

Nos anos 1960, as artes também merecem lugar especial na programação cultural, que passa a promover apresentações de músicos, sessões de cinema e exposições. Nasce, em 1968, a Biblioteca Infanto-Juvenil, que em 1970 passaria a se chamar Biblioteca Circulante Ubirajara Martins. As já tradicionais festas do Paulistano ficam ainda mais animadas com a inauguração da Boate Jovem, em 1969.

Em 1970, o Paulistano reúne 25 mil membros, entre pagantes e familiares. No Departamento de Esportes, 1.419 sócios estão inscritos no basquete, deck-tennis, esgrima, futebol de campo, ginástica, ginástica de solo, halterofilismo, judô, natação, pólo aquático, paleta, pelota basca, tênis e voleibol.

1971-1999
Um novo Clube nasce em 1971, graças às reformas iniciadas em 1965. Áreas obsoletas ou irrecuperáveis - como o velho ginásio e a histórica piscina de treinamentos - desaparecem para dar lugar a instalações mais modernas e versáteis, como a piscina olímpica, localizada num espaço até então ocupado pelo campo de futebol do CAP.
Mas a piscina é apenas uma das novidades. O Paulistano também ganha mais 11 mil metros quadrados de área coberta, um novo ginásio, um amplo auditório para fins recreativos e culturais, mais quadras de tênis iluminadas, novos vestiários, um novo campo de futebol, iluminado, e uma nova pista para atletismo, para corridas de 100 metros com barreiras, além de espaços para arremessos e saltos. O frontão, único do Brasil, continua no mesmo local, mantendo uma tradição que orgulha o Paulistano.

Em 1988, é criada a Escola de Esportes, área dedicada às crianças. Outras modalidades surgem no Clube, como o badminton, esporte que até hoje, apesar de pouco conhecido no Brasil, é praticado no Paulistano. Em 1993, é a vez da capoeira ser introduzida como curso esportivo do CAP.

2000-hoje
Em 29 de dezembro de 2000 o Paulistano completou um século de existência com o mérito de ter se modernizado sem, contudo, ter negligenciado os valores que fazem parte de sua tradição, como o amadorismo e a civilidade.

Todas essas reformas e ampliações apresentam, é claro, um objetivo comum: preservar a tradição do Club Athletico Paulistano como um local ideal para a prática de esportes e lazer, assegurando sempre o bem-estar e a segurança de todos os seus associados. É assim o Clube do século XXI.

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