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Autismo

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Uma relação especial

Há cerca de cinco anos, a sócia Carolina Schenk Morsa, então grávida de três meses, foi surpreendida com a notícia de que seu sobrinho Pedro de 2 anos, filho de seu irmão, era portador de autismo. “Até então não tínhamos conhecimento sobre o problema”, diz.

Carolina começou a pesquisar o assunto na internet, enquanto seu irmão e cunhada, que moravam nos Estados Unidos, tinham o suporte de uma equipe multidisciplinar.

Desde que a família voltou para o Brasil, no ano passado, encontra dificuldades para matricular Pedro, agora com 7 anos, numa escola. “É muito difícil a inclusão social de crianças que apresentam o problema, justamente porque há falta de esclarecimento sobre a doença”, revela.

Foi assim que Carolina se engajou em uma campanha de conscientização do autismo, numa adesão de, aproximadamente, 25 a 30 famílias. “Nosso objetivo é tentar fazer com que as pessoas conheçam a doença e deixem o preconceito de lado .”

Com a utilização de cartazes distribuídos em diversos estabelecimentos e vídeo gravado na internet, o grupo ajudou a divulgar o quarto ano do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que aconteceu dia 2 de abril.

Estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data contou com diversas ações no mundo todo, momento em que vários monumentos receberam iluminação azul, a cor que simboliza a doença. Houve ainda corrida de rua em São Paulo e diversos programas de televisão abordando a síndrome.

O Paulistano também participou da campanha. Em solidariedade, alunos e professores do Recanto Infantil foram para a aula no dia 1º de abril com roupas azuis.


Alunos e professores do Recanto aderiram ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo

O que é o autismo?

Ainda pouco conhecido e divulgado no País, o transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo) faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de transtorno global do desenvolvimento (TGD) e é mais comum do que se imagina.

Segundo dados de 2006 do Center of Disease Control and Prevention, órgão norteamericano, a prevalência é estimada em 1 a cada 110 nascimentos entre a população nos Estados Unidos. No Brasil não há estatísticas.

A síndrome, cuja incidência se dá em diversos graus, caracteriza-se por um desenvolvimento atípico nas áreas de sociabilização, comunicação e comportamento e, normalmente, aparece antes dos 3 anos de idade. O diagnóstico é clínico, feito por meio de observação.

As causas ainda são desconhecidas, mas estudos indicam que o autismo é causado por anomalias na estrutura ou função cerebral. Pesquisadores também estudam a relação de componentes genéticos e fatores ambientais.

“Por causa da falta de informação no Brasil, muitos portadores estão sem diagnóstico”, afirma Carolina. E quanto mais cedo houver intervenção, melhor. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce permite a indicação de um tratamento adequado.

“Lidar com um autista é uma relação especial. Sei das limitações do meu sobrinho e explico para minhas filhas, que aceitam o primo do jeito que ele é.” Segundo ela, o próximo passo do grupo de pais será trazer profissionais de saúde dos Estados Unidos para ministrar palestras às famílias brasileiras.

Quem desejar obter informações ou fazer parte do grupo deverá enviar um e-mail para autismo@live.com.

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