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Alma de batera

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Aulas de bateria levam um novo mundo a pessoas portadoras de necessidades especiais, que, por meio da música, desenvolvem áreas pouco ou nunca trabalhadas

Tudo começou por acaso. No começo de 2008, Paul Georges Lafontaine, que passou muitas horas no campo de futebol do Paulistano durante a infância, recebeu o convite para trabalhar justamente com os alunos que procurava: os portadores de necessidades especiais.

O sócio começou a estudar bateria aos 18 anos, mas sempre teve a música presente em sua vida. Na época da escola, fez as famosas aulas de flauta doce e violão. Com a bateria, formou bandas e tocou à noite durante alguns anos. A partir de 2006, outro lado da personalidade de Paul começou a se destacar.

Iniciou trabalho como voluntário na Fundação Dorina Nowill para Cegos e no Clube Hípico de Santo Amaro, na equoterapia. “Amava o que fazia e percebi que era o momento de voltar a estudar, já que a formação em Turismo nunca havia me deixado tão entusiasmado”, revela.

“Por causa dessas experiências, comecei a estudar Pedagogia”, continua o estudante do sexto semestre do curso, que deseja se especializar em psicomotricidade após se formar. Em 2007, com incentivo de um professor, começou a dar aulas de bateria na comunidade Monte Azul.

“Mas ainda não era o que eu queria”, comenta. Então, uma instituição com quatro alunos portadores de necessidades especiais interessados em fazer aulas de bateria entrou em contato com seu professor. “Na hora, ele já sabia que seria eu quem ensinaria esses alunos”, conta.

“Dar aulas de bateria para estas pessoas foi e continua sendo, dois anos depois, um desafio”, analisa. Em 2008, na instituição, trabalhou com nove alunos. No ano passado, já sozinho, começou do zero e criou o projeto Alma de Batera. Em 2009, foram quatro alunos.

Hoje, Paul ensina mais pessoas, duas delas portadoras de necessidades especiais. “Minha maior dificuldade é divulgar o projeto”, revela. O professor atua de acordo com os potenciais de cada um, respeitando o tempo de aprendizado e as limitações.

“A intenção, obviamente, não é a formação de bateristas profissionais. Na aula, o indivíduo interage com a bateria, desenvolve seu lado cognitivo e intuitivo, além de ter um contato com o mundo musical como um todo”, explica.

O curso é individual, pago, e as aulas, em geral, acontecem uma vez por semana, com tempo que varia conforme a patologia e concentração de cada aluno. Há ainda a importância da relação interpessoal. “Estou sempre aprendendo algo novo nas aulas, como respeitar as diferenças”, exemplifica.

“Com meus alunos existe uma troca grande, há experiências, momentos que não têm preço, como ver a satisfação de cada um tocando bateria”, completa. Paul usa o exemplo de uma aluna, que tem paralisia cerebral e toca mesmo sem movimentar as pernas.

“O pai dela já havia tentado outros instrumentos, mas ela só queria aprender bateria”, finaliza.

Contatos com Paul Lafontaine
(11) 9173-9298 / paul_lafontaine@hotmail.com

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